terça-feira, 11 de agosto de 2009

O último discurso de "O Grande Ditador"


Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador.
Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer quer seja.
Gostaria de ajudar - se possível - judeus,
o gentio...negros...brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros.
Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo
não para o seu infortúnio.
Por que haveremos de desprezar e odiar uns aos outros?
Neste mundo há espaço para todos.
A terra, que é boa e rica, pode prover a
todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e
da beleza, porém nós extraviamos.
A cobiça envenenou a alma dos homens...
levantou no mundo a muralha do ódio...
e tem-nos feito marchar a passo de ganso
para a miséria e os morticínios.

Criamos a época da velocidade,
mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância,
tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos;
nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia
e sentimentos bem pouco.

Mais do que de máquinas,
precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência,
precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes, a vida será de violência
e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais.
A própria natureza dessas coisas é um apelo
eloquente à bondade do homem...
um apelo à fraternidade universal..
à união de todos nós.

Neste mesmo instante a minha voz chega a
milhões de pessoas pelo mundo afora...
milhões de desesperados,
homens, mulheres, criancinhas...
vítimas de um sistema que tortura
seres humanos e encarcera inocentes.

Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!"
A desgraça que tem caído sobre nós não é mais
do que o produto da cobiça em agonia...
da amargura de homens que tem o
avanço do progresso humano.

Os homens que odeiam desaparecerão,
os ditadores sucumbem e o
poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo.
E assim, enquanto morrem homens,
a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais...
que vos desprezam... que vos escravizam...
que arregimentam as vossas vidas...
que ditam os vossos atos,
as vossas idéias e os vossos sentimentos!
Que vos fazem marchar no mesmo passo,
Que vos submetem a uma alimentação regrada,
que vos tratam como gado humano e
que vos utilizam como carne para canhão!
Não sois máquina! Homens é que sois!

E com o amor da humanidade em vossas almas!
Não odieis!
Só odeiam os que não se fazem amar...
os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão!
Lutai pela liberdade!

No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito
que o Reino de Deus está dentro do homem,
não de um só homem ou de um grupo de homens,
mas dos homens todos!
Está em vós! Vós, o povo, tendes o
poder de tornar esta vida livre e bela...
de faze-la uma aventura maravilhosa.
Portanto - em nome da democracia
usemos desse poder, unamo-nos todos nós.

Lutemos por um mundo novo...um mundo bom que a
todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à
mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que
desalmados têm subido ao poder.
Mas, só mistificam! Não cumprem o que promete.
Jamais cumprirão! Os ditadores liberam-se,
porém escravizam o povo.

Lutemos agora para libertar o mundo,
abater as fronteiras nacionais,
dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência.
Lutemos por um mundo de razão,
um mundo em que a ciência e o progresso
conduzam à ventura de todos nós.

Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo?
Onde te encontres, levanta os olhos!

Vês, Hannah!
O sol vai rompendo as nuvens que se disperam!
Estamos saindo da treva para a luz!
Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor,
em que os homens estarão acima da cobiça,
do ódio e da brutalidade.

Ergue os olhos, Hannah!
A alma do homem ganhou asas e afinal
começa a voar.
Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos, Hannah!
Ergue os olhos!
.'. Charles Spencer Chaplin .'.
16/04/1889 à 25/12/1977


Texto de um dos maiores homens que viveram em nosso Planeta, CHARLES CHAPLIN, proferido no final do filme "O grande Ditador", que é um dos mais belos textos pacifistas já escritos...

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